sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Felicity!

Alguém aí já assistiu Felicity? Assistam.

A série é antiga, acho que é de 1999. Mas é exatamente o que eu estou passando hoje. Na verdade não, não-vou-para-Nova-York-atrás-de-um-cara-que-só-conheço-de-nome-por-quem-sou-loucamente-apaixonada. Eu me refiro aos primeiros episódios.

Basicamente é isso: Felicity não sabe o quer, não sabe quem é. Só sabe que quer ir à faculdade, livrar-se do sufocamento que lhe causam seus pais e por sua vida em funcionamento, dar início a isso que chamamos vida adulta, mas por partes, sem ansiedade e sem deixar de passar por nenhuma etapa.

É isso sabe. Tenho 17 anos, estou no meu primeiro ano de cursinho e minha cabeça tá parecendo meu quarto da praia quando fico mais de um mês sem colocar as roupas no armário ou tirar da mala. Não sei se vou, não sei se fico.

Sempre pensei em ser uma grande advogada, sabe? Mas caí na real, essa coisa de Direito aqui onde eu moro não dá em nada a não ser que você pretenda ser um juiz, promotor... E meu sonho era apenas advogar! Eu só queria ir ao tribunal, defender meu cliente, ganhar a causa e ser muito feliz! Mas a vida não é assim. Hoje eu sei que minha formatura em direito acarretaria muitos problemas, eu teria de me mudar da cidade que eu amo, onde tenho meus amigos, minha família e tudo o mais para ir parar em uma Minimicrosuperpequenanópolis. Teria que me dedicar a milhões de papeis, intermináveis noites em cima de papeis, papeis e mais papeis. A leitura é meu vício, meu hobby, minha vida, mas a leitura de processos e mais processos, não é exatamente o que eu espero da minha profissão. Então decidi que a área da saúde tem mais a ver comigo. Isso depois de cogitar Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Economia, Artes Cênicas, Direção de Cinema... Irônico, mas biológicas é mais humano do que humanas, e eu sou assim: Carne, osso e coração, todo o tempo. Então medicina é ideal. O problema é que é ideal para tanta gente que entrar em uma universidade pública de medicina, ou seja, aquela que meu pai pode pagar, está sem dramaticidade nenhuma impossível. Lógico, a não ser que você esteja disposto a perder alguns anos de sua vida, uns 4 ou 5, no cursinho, vendo e revendo as mesmas coisas de sempre e sempre. Sabe, pode até ser infantil, mas quando minhas amigas de infâcia estiverem se formando em seus cursos de graduação e eu estiver prestigiando-as, eu gostaria de poder estar convidando-as para a minha formatura também! Não me parece justo comigo mesma simplesmente deixar minha vida estacionada no ensino médio, enquanto há tanta coisa a ser feita.

Isso me mantem confusa na maior parte do meu tempo. Então não sei. Eu penso, repenso, tripenso... Penso nisso, mexo, remexo esse assunto. Mas nada. Na-da. O que fazer? E se no final do ano eu não puder cursar nenhuma faculdade de medicina por que não passei no vestibular? Será que eu estou preparada para passar? Sei que não. Sem ser pessimista, não estudei o bastante. Mas e aí? E ano que vem? Cursinho de novo? Não quero. Sei o que quero, mas sei que não está ao meu alcance agora, sei o que não quero, mas não sei o que fazer para ir contra. Situação difícil.

Pensei em cursar algo como Fisioterapia ou Biomedicina, e então curtir essa fase e depois entrar no curso de medicina. Tenho 17 anos, sinto-me tão nova para decidir o rumo de todo o resto da minha vida. Não sou mais menina, mas mulher? Também não, oras...

Nenhum comentário: