quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Mundo De Loucos! 2

Chegou a notícia de que minha outra tia, Maria, viria para o ano novo. Anteriormente ela se recusara a participar do natal em família porque brigada com a tia Valéria e dissera que não apareceria mais naquela casa até que a tia Valéria voltasse para o Uruguai, país onde mora atualmente. Ela decidiu aparecer de última hora. Ficamos esperando que chegasse, estava muito bem arrumada. Trouxe o marido, um homem de meia idade que a pobreza destruiu qualquer mínimo sinal de beleza que pudesse ter, e, o filho (um drogado com sérios problemas mentais causados pelo uso contínuo de maconha, cocaína, crack... ) ficou em casa graças a Deus. A presença daquele menino (que vive na barra da saia da mãe, mas já completa mais de 30 primaveras) é aterrorizante. Tia Maria tem mais um filho, mas este escapou o quanto antes da loucura dos pais e hoje vive em outra cidade, é casado e vai ter uma filha. O que vive com ela tem mais de 3 filhos, mas não sabe onde estão. Tia Maria, seu marido e o filho moram em uma casa do subúrbio da cidade, são pobres. Minha tia tem uma certa loucura por animais, uma sede de salvar qualquer um que lhe apareça e já coleciona, na minúscula casa onde vive, 14 cachorros. Diz ela que prefere cachorro aos seres humanos. Ela não trabalha porque gasta todo o tempo cuidando dos animais, do filho louco e do marido fracassado. O marido passa a vida tantando ensinar os meninos do suburbio a jogar futebol, montou uma escolinha, que se dá dinheiro é o mínimo.

Enfim, chegaram todos. Nunca vi nada mais deprimente, ano novo diante da TV. Como minha tia foi incapaz de arrumar a mesa me adiantei. Tia Valéria até que ajudou um pouco, mas estava mais preocupada em terminar a champagne e resolver suas, intermináveis, diferenças com Tia Maria. Ficamos conversando o de sempre. Meu pai, Dom Casmurro, queto no sofá, sem falar, sem opinar, sem se mexer, apenas assistindo televisão como se fosse mais um medíocre dia no mundo. Minhas três tias como de costume se reuniram para falar da vida da família toda, criticar cada atitude, cada estilo de vida e criar teorias, teses, todas essas inutilidades de gente medíocre. Minha prima correndo feito louca atrás da irmã mais nova e meu 'tio' assistindo TV, estava visivelmente deslocado. Minha vó trabalhava na cozinha. Eu ia da cozinha para sala, da sala para a cozinha. Chovia lá fora.

Ficamos assim até que minha avó terminasse de arrumar a comida. Eu e Tia Tereza ajudamos a colocar a refeição na mesa. Sentamos. Silêncio. Foi desagradável. Então meu tio puxou um assunto típico da sua pessoa, "se eu ganhasse na mega sena..." e desatamos a falar sobre isso até que o assunto acabasse novamente. E levatamo-nos um a um sem se quer pedir licença, fomos assistir TV novamente. Não me lembro se comemos antes ou depois da meia-noite. O fato é que nos cumprimentamos com felizes anos novos todos. Acho que alguns foram falsos, mas tínhamos que seguir a 'tradição'.

E assim a noite se passou. Minha vó foi dormir, meu tio dormia no sofá, meu pai mau humorado noutro sofá, minha prima atrás da outra prima e minhas tias futricando a vida alheia e a delas mesmas sem perceber o quanto são inúteis e limitadas. Tive medo de ter que passar a virada do ano sempre assim. Acho que fiquei até um pouco depressiva com a situação. É triste ver se tem uma família de loucos, frustrados e perdedores.

Às vezes gosto da minha família, às vezes a odeio. Não tenho nada a ver com nenhuma daquelas pessoas, talvez seja ligeiramente parecida com meu pai, mas não tanto, ele é muito mau humorado e não tem amigos, afasta as pessoas. Gostaria que a vida fosse melhor que isso. Quero que o ano comece logo para eu poder conviver com outras pessoas que não minha família e que eu encontre alguém para formar a minha própria e me afastar desse sanatório.

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